Indonésia acaba com voto direto nas eleições locais
O presidente recém-eleito que tomará posse em outubro, Joko Widodo, apoiava a manutenção do sistema de eleições diretas para cargos locais e regionais

Policiais da Indonésia se preparam para lidar com os manifestantes que aguardam o veredicto sobre as eleições, em Jacarta (Bagus Indahono/EFE)
O Parlamento da Indonésia aprovou nesta sexta-feira a supressão da eleição direta nos pleitos locais, uma medida foi recebida com duras críticas por setores da sociedade e da imprensa. A mudança põe fim à eleição direta de prefeitos, governadores provinciais e chefes de distrito que passarão a ser selecionados por parlamentos locais, tal como ocorria antes da reforma aprovada em 2004.
A moção foi aprovada de madrugada após um debate de dez horas que foi resolvido quando o Partido Democrata do presidente em fim de mandato, Susilo Bambang Yudhoyono, decidiu abster-se da votação e abandonar a Câmara apesar de ter se comprometido a apoiar o sistema vigente. Os democratas tinham exigido dez condições para melhorar a eficácia e reduzir os custos dos pleitos locais, mas quando viram que seriam derrotados, saíram do Parlamento.
A decisão do Parlamento foi recebida com protestos de ativistas e fortes críticas, que consideram um “retrocesso” no processo democrático da Indonésia. “Tirar do povo o direito de escolher seus líderes é uma traição descarada da confiança pública e ao mesmo tempo o marginaliza do processo democrático, deixando como inútil todo o progresso e os custos dos últimos dez anos”, considerou em seu editorial o jornal The Jakarta Globe. “A Indonésia retorna ao sistema de democracia elitista controlada por um punhado de políticos corruptos que só servem a seus próprios interesses”, acrescentou o jornal em seu editorial.
O sistema de eleição direta contava com o apoio do presidente eleito, Joko Widodo, que tomará posse do cargo em outubro, e que anteriormente, por meio desse sistema, foi eleito prefeito de Slo e governador de Jacarta. “Se os líderes regionais são escolhidos diretamente prestarão mais atenção ao povo. Deverão assegurar-se que satisfazem as necessidades das pessoas”, disse Widodo antes da votação.
A moção foi aprovada com o voto de cinco partidos que nas eleições presidenciais de julho apoiaram o candidato perdedor, Prabowo Subianto, que na campanha se mostrou partidário de suprimir também a eleição direta para presidente do país. O presidente, que antes de 2005 era eleito pelos deputados do Parlamento, seguirá sendo escolhido pelos eleitores em eleições nacionais. A decisão de hoje do Legislativo ainda poderá ser recorrida no Tribunal Constitucional da Indonésia.
(Com agências France-Presse e EFE)
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